sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Biografia da Canção Coimbrã













Sugestões para Coimbra








Algumas sugestões para aquele(a)s que estejam de férias ou queiram passar um fim de semana agradável na bela cidade do Mondego.
Assim podem pela manhã visitar o Mosteiro de Santa Clara, que reabriu as suas portas em Abril deste ano, após as importantes obras de recuperação a que foi submetido ( aos Domingos às 10 visita guiada gratuita) de tarde fazer um belo passeio a bordo do Basófias, e à noite vão ouvir fado de Coimbra gratuitamente, ou por um preço módico no àCapella ou no Rio de Fado - vale a pena. Divirtam-se.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Concerto em Lagoa

Rui Pato no "Diario as Beiras"

Lídia Pereira

HOMENAGEM - José Afonso, nascido a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, teria completado ontem 80 anos

“Continuar a cantar com o Zeca”

Com o país e Coimbra a homenagearem José Afonso, o DIÁRIO AS BEIRAS falou com Rui Pato, o músico e médico que, com o poeta e cantor, escreveu uma página fundamental na história da cultura contemporânea em Portugal. Um novo canto que abriu caminho a muito e a muitos dos que cantaram e, assim, anteciparam a liberdade.

DIÁRIO AS BEIRAS – Como é que aconteceu o encontro entre Rui Pato, então um jovem estudante de liceu, e José Afonso?
Rui Pato – Estávamos no início dos anos 60 e eu já tocava viola num grupo de fados no Liceu D. João III (actual Escola Secundária José Falcão), de que faziam parte Francisco Martins, guitarrista, mas também Carlos Encarnação, num grupo de jovens da média burguesia da cidade que aprendiam a tocar viola e guitarra, no qual eu me incluía e que era patrocinado de alguma forma por António Portugal. Portanto, eu tinha já alguma prática no acompanhamento de cantores, além de ser também um autodidacta de viola clássica, com uma prática e um saber que era pouco habitual naquela altura, em Coimbra. O Zeca Afonso era amigo do meu pai [Rocha Pato, jornalista e chefe da Delegação de Coimbra do 1.º de Janeiro], que conhecia toda a gente do fado, na tertúlia da Brasileira, na Baixa. Quando o Zeca, já depois da sua passagem em Coimbra, como estudante e cantor do fado tradicional, já professor, regressa a Coimbra para mostrar aos amigos um modelo novo de canções, vai ter à Brasileira. Mas para se ouvirem as coisas novas era necessário um acompanhante à viola. Como eu tocava viola e o meu pai o lembrou, foram todos para minha casa para o Zeca mostrar as suas primeiras canções. E foi então que eu ouvi pela primeira vez as coisas novas do Zeca, que fui acompanhando à viola de uma maneira de que ele gostou. E pronto, nasceu ali a ideia de passar a acompanhar o Zeca Afonso, o que aconteceu logo até num primeiro disco, que também foi sugerido na altura.

E esse foi o momento em que apareceu o canto novo e se cimentou a sua ligação a José Afonso?
Exactamente. As canções que o Zeca cantou foram algumas das que depois se transformaram em símbolos, como “Os vampiros”, “O meu menino é de oiro”, “Tenho barcos, tenho remos”, aquelas primeiras coisas que ele gravou, que eu acompanhei, e que depois se transformaram em grandes sucessos. Seguiram-se um segundo disco e um terceiro. Comecei depois a acompanhar o Zeca em espectáculos um pouco por todo o país, o que aconteceu entre 1963 e 1969, na altura da crise académica. Ainda antes, por altura de 1965, comecei também a acompanhar o Adriano [Correia de Oliveira], o que voltou a acontecer com o António Portugal, o Pinho Brojo, o António Bernardino, numa actividade quase febril.

A crise académica veio quebrar essa ligação?
Chegamos a 1969 e como eu era dirigente académico fui castigado, foi-me retirada a possibilidade de ir para o estrangeiro e, por isso, não pude acompanhar o Zeca que começou a gravar lá fora em condições completamente diferentes daquelas que tinha em Portugal. Mas continuei a acompanhar o Adriano em 1969, em 70, ainda gravei com ele “O canto e as armas”, com poemas de Manuel Alegre. Em 70, 71, 72 ainda acompanhei o Adriano, ainda fiz várias coisas com o António Portugal, com o Brojo. Depois disso, quando me formei em Medicina, em 1972, dediquei-me ao exercício da profissão e só muito raramente fazia música, o que voltou a acontecer com o Adriano numa Festa do Avante e, depois, a pedido do Zeca, no seu último concerto no Coliseu, onde eu o acompanhei em três temas dos seus mais antigos.

Depois a medicina acabou por triunfar, embora a música continue a fazer parte da sua vida?
Exactamente, sempre. Eu costumo dizer que médicos há muitos... e não é só pelo gosto que eu tenho pela viola e pela música. É também porque eu considero que qualquer actividade profissional – e muito mais a medicina – beneficia se tivermos um outro interesse, de preferência ligado à arte, a música, a pintura, a escrita. Um médico que não faça mais nada para além da medicina é um homem limitado e, talvez por isso, há tantos médicos escritores, músicos, pintores.

E, de facto, há muitos médicos ligados às artes.
Sim. Também porque esta é uma profissão que tem uma grande componente humanista, um grande contacto com a realidade, com a tristeza, mas também com a alegria... o que nos enriquece bastante. Portanto eu, não digo que todos os dias pego na viola, sobretudo agora com a responsabilidade do conselho da administração [do Centro Hospitalar de Coimbra], mas tenho as violas sempre à mão. E quando me libertar de tudo isto e me aposentar, tenho um grupo de amigos que continuam a tocar e que eu vou passar a acompanhar mais, porque considero ser enriquecedor.

O que é que guarda daquele momento fundamental que foi o nascer de uma nova canção?
Claramente. Mas – e eu costumo dizer isto muitas vezes – só mais tarde é que soube que estava a viver um momento histórico quando comecei a acompanhar o Zeca. Eu na altura não me apercebi da dimensão do momento que estávamos a viver, o que aconteceu também com muitos dos seus amigos, com excepção talvez para um ou outro mais clarividente. E entre os amigos que mais lidavam com o Zeca na Brasileira estavam o Abílio Hernandez Cardoso, o Rainho, o Pedro Olaio, outras pessoas que já faleceram, como o meu pai, o sr. Amado, que tinha a Casa Amado em frente à Brasileira... Havia ali um grupo de amigos, também alguns estudantes quase ainda do tempo dele, que estavam nos Kágados e na Baco, repúblicas onde o Zeca Ficava quando vinha a Coimbra, a quem ele mostrava estas coisas novas. O facto é que as pessoas ligadas à música em Coimbra ainda estavam numa fase muito tradicionalista, mesmo os que mais tarde evoluíram e deram importantes passos em frente, como o António Portugal. O que aconteceu com as novas canções do Zeca foi um choque muito grande.

Numa cidade fechada...
Numa Coimbra ainda quase medieval, onde não se fazia mais nada a não ser o cantar melancólico das serenatas, aparecer alguém a cantar “o meu menino é d’oiro” ou “os meninos do Bairro Negro”... É evidente que o Zeca partia de uma cultura, no meu entender, francesa, de um Léo Ferré, do Georges Brassens, do Brel. Ou seja, de um contexto já com uma intenção que não havia em Coimbra, embora houvesse já esboços, nomeadamente no Edmundo Bettencourt e até no Fernando Machado Soares. Portanto, em Coimbra, naquela altura, ninguém levou o Zeca muito a sério, embora alguns achassem que aquilo era interessante e que era preciso ser gravado. E quando o disco saiu foi um pouco um escândalo em Coimbra, precisamente porque na capa dizia “Dr. José Afonso: Baladas de Coimbra”. Então quase caiu a Torre, numa tal afronta à tradição.

Qual foi o momento de viragem na aceitação à música nova de Zeca Afonso?
Com o segundo disco, com “Os vampiros”, com o “Menino do Bairro Negro”, começaram os intelectuais de esquerda e os movimentos operários, sobretudo da margem Sul do Tejo, a convidá-lo, o que acontece também nos saraus das crises académicas, em sessões de canto, num claro apoio da esquerda. E nessa altura fomos imediatamente conotados com uma canção de combate, eu passei a sentir a minha viola como uma arma, uma força de combate.

E Coimbra, entretanto?
Coimbra ignorou completamente Zeca Afonso. Também porque, na altura, era a direita que dominava a Associação Académica. Só quando a esquerda ganhou a AAC e começou a fazer os seus saraus é que Zeca começou a vir a Coimbra, o que aconteceu muito pouco. Eu lembro-me de tocar com ele uma vez num sarau no Teatro Avenida e outra vez no ginásio [actual cantina dos grelhados] do Jardim da AAC [momento que a foto da página 2 documenta].

E a sua percepção da importância que tudo aquilo tinha?
Isso apenas aconteceu um ano ou dois depois de eu acompanhar o Zeca. Só então percebi a importância do canto do Zeca e da minha própria contribuição para ele. Porque o que aconteceu foi mostrar um novo modelo de acompanhamento, um instrumento muito discreto que serve quase só para sublinhar o poema.

Porque o que se queria dizer é que era importante?
Exactamente. E essa não era a prática dos acompanhantes, à guitarra e à viola, na altura. E eu, de uma maneira muito intuitiva, consegui responder a esse desafio que acabou por ser pioneiro num modelo de acompanhamento. Paralelamente a tudo isto, o Zeca foi também para mim um educador. O Zeca era um homem diferente, com um sentido de humor extraordinário, as suas histórias, as suas distracções patológicas, com uma preocupação sincera para que os seus amigos evoluíssem, ele trazia livros, emprestava-os, discos. Por isso também, o Zeca contribuiu muito para a minha formação cultural e política, embora o meu pai e o meu avô já fossem homens de esquerda.

José Afonso “foi o bandeirante de uma grande aventura”

O que é que Portugal deve a Zeca Afonso?
Deve muito. O Zeca foi o homem que contribuiu decisivamente – e não tem outro a par dele – para uma revolução cultural naquilo que era a música portuguesa. E isto é reconhecido por toda a gente. Não há nenhum músico, nenhum grande cantor, nenhum grande poeta cujo despertar para uma nova música, para uma nova canção, não tenha partido do Zeca, que foi o grande ousado, o que deu o primeiro passo. Ele é que foi o bandeirante desta grande aventura. Havia muitos – que depois nós fomos conhecendo – que vieram a assumir-se naquela linha de inovação, mas apenas depois do Zeca o ter feito. Havia um caminho que não tinha sido ainda desbravado. E foi o Zeca quem o fez e quem conduziu muitos dos que fazem hoje uma página fundamental da história da música portuguesa.

E em que é que devemos guardar José Afonso?
Eu tenho dito muitas vezes e vou continuar a dizê-lo. A grande homenagem que se pode prestar a José Afonso é não deixar que a sua obra morra. E a intemporalidade dos seus poemas e das suas músicas tem-se demonstrado até com a adesão de muitos jovens músicos. A melhor homenagem é continuar a cantar com o Zeca. Que os nossos filhos e que os nossos netos continuem a conhecer a sua obra e continuem a cantar “venham mais cinco”. O pior que pode acontecer a um artista é deixar cair a sua obra no esquecimento. E nós, com o Zeca, corremos esse risco aqui há uns anos. Houve uma altura em que ele passou por cantor maldito, de novo, porque já tinha acontecido no tempo do fascismo. Mas depois, mesmo após o 25 de Abril, houve de novo esse estigma, depois a sua doença, toda essa situação fez com que ele tivesse passado um pouco por uma fase de Lua nova, não se via, mas existia. Entretanto, os músicos de Lisboa organizaram aquele belo momento de reabilitação, com o lançamento de um disco em que variadíssimos artistas cantaram músicas do Zeca. Agora, quer sejam portugueses, quer sejam espanhóis, há muita gente a cantar Zeca Afonso. E essa é que é a grande homenagem que se lhe pode e deve fazer, independentemente de tudo o que possa fazer-se em sua memória, como o programa que está agora a acontecer em Coimbra.

E Coimbra estará, para sempre, ligada a José Afonso?
Sem dúvida. E o Zeca, embora tivesse havido um tempo em que teve dificuldade em o reconhecer, mais tarde acabou por reconhecê-lo e voltar um pouco às suas origens. Sobretudo com o lançamento daquele disco de fados de Coimbra. Aquilo foi quase o tentar fazer as pazes com uma altura em que ele tentou demarcar-se de Coimbra e do que por cá se fazia. Embora ele tenha sido sempre muito crítico e tenha feito a sua crítica à cidade com uma ironia muito própria, muito dele, a esta Coimbra que andava toda à volta da Torre, à volta de uma espécie de aristocracia universitária, muito provinciana. Mas, de facto, foi em Coimbra que José Afonso nasceu como cantor, foi aqui que apendeu muito, também com o seu contacto com os futricas da cidade, com a Alta, com a Baixa. Quando falávamos com ele, a conversa acabava sempre no Mário do café tal, no tipo que vendia cautelas na Baixa, no sapateiro da rua x... Ele tinha um repositório extraordinário de figuras de Coimbra, da Coimbra de sempre e adorava recordá-las e revivê-las.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Tertúlia "Recordar José Afonso" em Vila Real de Santo António
Dia 24 de Abril, às 21h30, no Centro Cultural António Aleixo, terá lugar a tertúlia “Recordar José Afonso”, com a participação de Camilo Mortágua, José Luz Santos, José Luís Louro e Teodomiro Neto, à qual se seguirá a actuação do grupo de Fados de Coimbra “Canto d’Alma”.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Carlos Paredes


«Já me tem sucedido fazer as pessoas chorar enquanto eu toco... E eu não compreendia isto, mas depois percebi que é a sonoridade da guitarra, mais do que a música que se toca ou como se toca, que emociona as pessoas»- Carlos Paredes

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Fado de Coimbra no Cartaxo


O grupo Canto d'alma estará presente sábado dia 18 de Abril no Cartaxo, numa grande noite de fados de Coimbra, promovida pela Tertúlia Paixão Taurina.

domingo, 8 de março de 2009

Zeca e Ary


Ary dos Santos e José Afonso
A CIDADE
(Musicada e cantada por José Afonso)
A cidade é um chão de palavras pisadasa palavra criança a palavra segredo.A cidade é um céu de palavras paradasa palavra distância e a palavra medo.A cidade é um saco um pulmão que respirapela palavra água pela palavra brisaA cidade é um poro um corpo que transpirapela palavra sangue pela palavra ira.A cidade tem praças de palavras abertascomo estátuas mandadas apear.A cidade tem ruas de palavras desertascomo jardins mandados arrancar.A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.A palavra silêncio é uma rosa chá.Não há céu de palavras que a cidade não cubranão há rua de sons que a palavra não corraà procura da sombra de uma luz que não há.

José Carlos Ary dos SantosAssociação José Afonso

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Canção com lágrimas

Eu canto para ti o mês das giestas
mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada.

Eu canto para ti o mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa
Quem me dera me Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem em dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol, Lisboa com lágrimas
Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera...
Tirado do Blog “cantaremosadriano.”

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Poema sobre o ódio à vida

Poema de Valter Hugo Mãe dedicado a José Afonso
Poema sobre o ódio à vida
para o zeca afonso

Havia um sapato de cristal no meio das escadas, era
certo que uma futura princesa ali o passara. um príncipe
triste, acompanhado de seus pajens, recolheu o
delicado objecto e suspirou, antevendo um amor eterno,
o coração acelerado, o príncipe tornou-se muito ansioso e
mais ansioso à medida da espera. e esperou demasiado,
enquanto todos os seus esforços falhavam o encontro
com a futura princesa. um dia, estava quieto em seus
aposentos quando súbito lhe anunciaram a bela moça.
entrando de cautelo no rico palácio, vinha já coberta
de ouro e luzia como luz que aumentasse. foi quando
lhe perguntou o pretendente, quereis casar comigo,
um príncipe triste. e a moça respondeu, perdi o sapato
sem querer, sou contra o amor, prefiro odiar todas as
coisas, ser fútil, promíscua. o príncipe ordenou que
deixassem todos os seus aposentos e ponderou o
suicídio. fechou as janelas, como num luto e, no dia
que veio, começou por inventar as leis mais justas e
mandar que oferecessem moedas aos pobres.

valter hugo mãe

in mil e setenta e um poemas
Associação José Afonso

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Adriano Correia de Oliveira

Tempos de Coimbra...

Adriano Correia de Oliveira


Saudades de um bom amigo...

A Ti que nunca te deixaste corromper.

domingo, 14 de outubro de 2007

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Povoa de Santo Adrião Concerto em16 de Junho de 2007





Publicado na revista" Loures Magazine Odivelas"

quarta-feira, 25 de julho de 2007

segunda-feira, 23 de julho de 2007

quinta-feira, 17 de maio de 2007


FADOS NA RCM COM «CANTO D’ALMA»





Na edição nº 808, do «Disto é que eu Gosto, de 19 de Maio, o convidado de Rogério Batalha é o Grupo «Canto d’Alma» que é constituído por amigos que representam três gerações. Todos eles têm percursos musicais distintos, mas com uma paixão comum – a canção coimbrã. O grupo procura demonstrar que a música e a poesia - no caso presente a balada e o fado de Coimbra – podem cimentar amizades, unir pessoas de gerações, culturas e vivências diversas, que embora nascidas a Norte ou Sul de Coimbra a tomam como sua referência, procurando divulgar a sua música e a sua cultura.

Durante o programa será divulgado o novo trabalho discográfico intitulado «Coimbra tem mais encanto», com 21 temas.

Como habitualmente qualquer ouvinte poderá participar na conversa através dos telefones do estúdio da RCM 261 817 205 e 261 817 206.

quinta-feira, 10 de maio de 2007


Faz hoje 108 anos que nasceu Artur Paredes, aquele que abriu os horizontes à guitarra de Coimbra e que tão mal tratado tem sido não só pelos sucessivos governos desta cidade madrasta, como por alguns meios de comunicação social, especialmente os audiovisuais.
Tive o grato prazer de com ele conviver nos últimos anos da sua vida, conjuntamente com Carlos Figueiredo na viola. Foram tardes de puro prazer! Tocava como se tivesse vinte anos, com aquele vigor e aquele balanço tão seu característico.
Acometido de uma doença, deu entrada num hospital, onde passei a ir visitá-lo quase todos os dias, até que num deles, num Dezembro frio, encontro a cama vazia! Tinha falecido nesse dia, com 81 anos. O filho Carlos ainda não tinha sido informado. Aproveitaram então a minha presença e pediram-me se podia ir reconhecer o corpo. Lá me desloquei à morgue para o ver pela última vez. Já nem parecia ele, tal o estado em que a doença desgraçadamente o tinha deixado.
Foi-se o corpo, ficou a alma, ficou a beleza das suas criações, ficou esse espólio gravado em disco e não só. Sem se saber como, uma grande parte da sua produção desapareceu pois, segundo sei, tinha muita coisa nova gravada em fita magnética. Algumas ainda as acompanhei. Com a morte do filho, uma esponja foi passada por cima desse espólio! Como foi possível? Haja alguém que me esclareça!

posted by Octávio Sérgio at Quinta-feira, Maio 10, 2007

sexta-feira, 20 de abril de 2007


Aprender compensa...


publicado por pitecos às 00:43

Ler os outros
Li no briteiros, que vivemos num mundo de aparências.
Joshua Bell tocou durante 43 minutos para as 1097 pessoas que passaram pela sua frente. Os que se detiveram para o ouvir contaram-se pelos dedos de uma só mão e o rendimento dos donativos não ultrapassou os 32 dólares e... alguns cêntimos.
Relembro Eugénio de Andrade:

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

domingo, 15 de abril de 2007

Canto d'alma - Malveira

Canto d'alma - Malveira e Ericeira

FADOS DE COIMBRA
O Grupo “Canto d’alma”, que tem por paixão a Canção Coimbrã, apresenta-se nos dias 14 e 21 de Abril, respectivamente na Casa de Cultura da Malveira e na Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, na Ericeira.


Este grupo é constituído por amigos com percursos musicais distintos. ”Coimbra Tem Mais Encanto”, “Trova do Vento que Passa”, “Samaritana”, “Balada da Despedida” são algumas das canções que poderá escutar…

Consulte a calendarização dos espectáculos:

14 de Abril – 21h30 – Casa de Cultura da Malveira;
21 de Abril – 22h00 – Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva (Ericeira).

O valor da entrada é de €3,50, podendo os bilhetes ser adquiridos, a partir de duas horas antes, nos locais onde os concertos se realizam.

terça-feira, 10 de abril de 2007

O trovador

O bom amigo Adriano

Adriano nasceu há 65 anos
Adriano Correia de Oliveira foi, acima de tudo, um homem simples. Talvez por isso não tenha a notoriedade de outros cantores da sua geração. Abordava as canções como pedaços de vida. Tinham de ser relevantes para a sociedade. Adriano compunha para deixar um traço. Compunha por pensar que esse traço podia despertar no outro uma emoção, uma perplexidade, uma repulsa.

Adriano Correia Gomes de Oliveira nasceu no Porto em 9 de Abril de 1942, filho de Joaquim Gomes de Oliveira e de Laura Correia. Ainda muito novo foi viver para Avintes, onde fez a escola primária. Depois de completar os estudos secundários, inscreveu-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra. Gostava de participar na vida cultural da Universidade. Cantou no Orfeão Académico de Coimbra e fez teatro. Não tardou a descobrir o fado. A sua voz triste era perfeita para o tom romântico e contemplativo da tradição coimbrã.

No início da década de 60 tornou-se militante do PCP. Era um homem de esquerda que gostava da luta política. Moldado por convicções inabaláveis, lutou sempre contra um país que vivia adormecido. Em 1962, participou nas greves académicas e concorreu às eleições da Associação Académica, através da lista do Movimento de Unidade Democrática (MUD). Todas estas movimentações levaram-no a gravar, no seu terceiro álbum, uma das baladas fundamentais da sua carreira, “Trova do Vento que Passa”, com poema de Manuel Alegre. Versos como “Há sempre alguém que resiste / Há sempre alguém que diz não” entraram no espírito de todos os que ansiavam pela liberdade. Foi o hino do movimento estudantil.

Em 1966 casou-se com Matilde Leite, com quem teve dois filhos. Veio para Lisboa, onde pretendia retomar o curso. Como ainda estava no primeiro ano, foi obrigado a cumprir o serviço militar. Nunca parou de gravar e de ajudar os movimentos estudantis na luta contra o regime salazarista. Em 1969, o álbum intitulado “Adriano Correia de Oliveira” foi considerado o melhor disco do ano, o que o levou a participar no famoso programa de televisão “Zip-Zip”.

Depois de ter terminado o serviço militar, arranjou emprego no gabinete de imprensa da Feira Internacional de Lisboa (FIL). Nesse mesmo ano decidiu avançar com o álbum “O Canto e as Armas”. Habituado a gravar discos com canções independentes umas das outras, Adriano Correia de Oliveira gravou um álbum conceptual, construído à volta de um poema de Manuel Alegre. Foi uma opção arriscada, tanto artística como politicamente, já que Manuel Alegre era um autor proibido. Depois de “O Canto e as Armas”, Adriano continuou a produzir discos políticos que denunciavam a realidade portuguesa, tendo marcado a existência de muitos que o ouviram. “São grandes aqueles que modificam a vida das pessoas”, lembra a historiadora Irene Pimentel.

Chegou a Revolução de Abril, e Adriano Correia de Oliveira já podia cantar, com alegria, a liberdade. Participou em vários espectáculos, em Lisboa e no Porto. Sempre considerou que a cultura deveria ser para todos e fez os possíveis por espalhá-la pela população. Em 1974 fundou o “Colectivo de Acção Cultural” e andou pelo País, com o apoio do Partido Comunista, a anunciar a Revolução. Era a época do PREC e de todas as utopias. Em 1975 recebeu o prémio de melhor artista do ano, atribuído pela revista britânica “Music Week”.

Mas nem por isso se deixou paralisar pela prisão das recordações. Continuou o seu combate contra a injustiça social, com uma sofreguidão de gozar o “tempo que passa”. No fim da década de 70 Adriano fundou a cooperativa artística Cantarabril, o sonho da sua vida, mas não tardaram os problemas internos que culminaram na sua expulsão, em 1981. Nunca deixou de ter projectos, mas a morte interrompeu-os. Morreu em Avintes em 16 de Maio de 1982.

Adriano Correia de Oliveira foi um dos renovadores da canção de Coimbra. Um artista extraordinário, que deixou canções eternas, que urge redescobrir.

segunda-feira, 9 de abril de 2007